2020 será melhor – ninguém solta a mão de ninguém

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Os primeiros dias do ano. Mesmo para os mais descrentes, a virada de ano costuma ser marcada pelo sentimento de esperança, pela vontade de acertar e de fazer a diferença. Por essa mesma razão, é um momento propício para balanços de vida e recomeços. As pessoas estão mais propensas a abraçar causas justas, a compartilhar os pensamentos de outros, a se permitir experiências diferentes da rotina, a praticar atos bons e a aceitação de ideias novas.

Pode ser a hora certa para começar um curso, fazer dieta, viajar, terminar uma relação, ou qualquer outra pendência deixada para trás em 2019, seja por falta de tempo ou de coragem. A verdade é que não é nada fácil sair da zona de conforto, ouvir o que incomoda e deixar de lado a omissão. Essa é a proposta nessa virada. Não há como progredir sozinho. Porém já há algum tempo, uma divisão impera na sociedade brasileira e não por questão de gênero, raça ou religião, mas de política. Para que a prosperidade se instale, todos devem se empenhar em criar um ambiente de energias positivas e equilibradas.

Já passou da hora de encerrar o ciclo de fragmentações. A esquerda em oposição à direita, a esquerda em desentendimento com a própria esquerda e a direita seguindo o mesmo caminho. O país vive uma democracia dita imperfeita quando pode avançar para uma democracia plena. Com relação a alguns critérios que podem ser avaliados para qualificar o estado da democracia de um país, estão o processo eleitoral e pluralismo, o funcionamento do governo, a participação política, a cultura política e as liberdades civis.

Seria surpresa descobrir que exatamente os critérios que dependem mais da sociedade civil – participação e cultura políticas – são os que também precisam ser mais aperfeiçoados? É inegável o crescente interesse popular por assuntos políticos, um ganho para a cidadania. Só não se pode confundir atuação com discursos repetitivos e acusatórios de ambos os lados.

Palavras como “fascistas”, “coxinhas”, “ isentões”, “perralhas” denotam a baixa qualidade dessa participação, cada lado enxergando o outro como uma ameaça. Há elementos autoritários e posições extremadas nas retóricas tanto da direita quanto da esquerda. É importante lembrar que a interação do cidadão se dá principalmente por meio das redes sociais. Se antes quase não se falava de política, a revolução tecnológica resgatou essa possibilidade com um alcance nunca visto.

O fato é somente um: somos todos brasileiros. O que quer que se pense sobre o Presidente da República eleito, nem tudo depende dele e sem apoio sua missão fica muito mais difícil de ser cumprida. Quem perde não são apenas seus eleitores e sim o povo brasileiro. Tolerância e moderação são essenciais para não minar agendas indispensáveis ao crescimento do País. Segurança, saúde e educação constituem pautas decisivas em todos os governos. No entanto, para que essas demandas sejam atendidas, e mais outras tantas, como o combate à corrupção e o fim da impunidade, faz-se necessária a manutenção da governabilidade. Que 2020 traga mudanças reais e bom senso a todos que sonham com um Brasil melhor.

*Jornalista, Mestre em Comunicação Pública e Política, editora de conteúdos e provedora de notícias, atua em diversas áreas – rádio, portais, agência de notícias.

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