A diferença ideológica entre invadir e ocupar

0
246

A esquerda sempre invadiu. SEMPRE! Invadiu fazendas particulares, áreas da União, instituições públicas e privadas, escolas… Mas essas invasões, quando divulgadas pela mídia, são tratadas como ocupações, de forma complacente, até com certo respeito pelo ato de coragem. O motivo é logo explicado na matéria, como uma justificativa para a ação: protesto contra algum projeto, reação à determinada composição de comissão, apoio ao governo petista, retirada de questão da agenda, denúncia de assunto…

Agora, quando a invasão é feita pela direita, há indignação e polícia federal neles! Sim, me refiro ao recente episódio da tomada do Plenário pelos intervencionistas. O movimento não tem meu apoio. Mas ficou evidente que a imprensa considerou uma afronta. Em que isso diferiu das “ocupações” da UNE, do MST, dos índios? Já houve pelo menos duas invasões conhecidas do público no plenário da Câmara sem repercussão midiática. Os intervencionistas não são grupos organizados com apoio de partidos e nem da sociedade civil. São pessoas comuns que não acreditam mais na nossa República. Que fique bem claro que não vai ter nenhuma intervenção militar, mesmo se convocada pelo governo ou qualquer poderes da República… os generais não têm qualquer interesse em atender aos apelos dos intervencionistas.

Não podemos deixar que criminalizem atos que venham da direita e não fazer o mesmo com atos da esquerda. O mais confuso disso tudo é que a invasão contou com o apoio de muita gente, inclusive daqueles que negam apoio ao movimento. Eu, por exemplo, não integro o grupo, não sou favorável à intervenção, mas compreendo as razões que os levaram a essa medida extrema. A notícia que apontava uma “articulação” para prejudicar o pacote de medidas contra a corrupção foi o estopim.

A insatisfação com o Congresso e os poderes constituídos é evidente. O Parlamento vem golpeando os milhões de brasileiros que foram às ruas pedir o impeachment da Dilma. A anistia ao caixa dois, a troca dos membros da comissão especial das 10 medidas contra a corrupção, a falta de quórum para discussão do fim do foro privilegiado, o polêmico projeto de abuso de autoridade são apenas alguns dos exemplos mais recentes. A super delação dos executivos da Odebrecht não vai deixar pedra sobre pedra. A reação do povo a tantos desmandos não pode ser considerada uma surpresa para nossos políticos ou simplificada a um ataque da extrema direita que começa a dar as caras após a eleição de Trump.

COMPARTILHAR
Artigo anteriorAs 10 medidas não passarão
Próximo artigoA guerra da comunicação que estamos perdendo…
Carlos Arouck
Agente de Polícia Federal - Bacharel em Direito - Licenciado em Administração de Empresas - Foi Instrutor Academia Nacional de Polícia - Palestrante na área de Segurança Pública - Fundador do Movimento Brasil Futuro (MBF) - Consultor de Cenários Políticos - Consultor de Estratégia de Segurança Pública

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here