A guerra da comunicação que estamos perdendo…

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Os partidos políticos, para governar ou fazer oposição, para se manter no poder ou prestar contas à população, precisam aprender a comunicar. Essa capacidade de comunicação sempre busca influenciar o cidadão e apresentar, de forma positiva, a organização e a liderança. Os objetivos são alcançar a notoriedade por meio da difusão do nome do líder, do candidato, da plataforma política ou das ações e ganhar o apoio dos cidadãos, por meio da persuasão. Assim se constrói a imagem política nos dias de hoje.

A contratação de Duda Mendonça pela campanha de Lula de 2002 marcou a guinada do PT em direção ao marketing político de resultado. O publicitário desenvolveu o conceito do “Lulinha paz e amor”, que mostrava o petista como um político maduro e avesso a radicalismos. A vitória de Lula, após três derrotas eleitorais seguidas, elevou Duda ao status de mago da propaganda política. João Santana, que havia trabalhado com Duda Mendonça, assumiu a campanha de Lula em 2006, que foi reeleito. Santana ganhou R$ 13,7 milhões pelo trabalho. Em 2014, a campanha de reeleição de Dilma dirigida por João Santana custou, oficialmente, R$ 318 milhões.

Por meio de grandes gastos com dinheiro público, a administração petista fez o povo acreditar que o País crescia e as diferenças sociais diminuíam. Foram diversos os exemplos de propaganda enganosa ou abusiva durante os governos de Lula e Dilma: a maquiagem feita nas contas públicas para fechar 2012 com o superávit primário positivo; a insistência de que o PIB seria de 4% em 2012, quando não chegou a 1%, uma taxa ainda pior do que o projetado pelos analistas internacionais; a não entrega de obras prometidas no setor de infraestrutura, como o caso de transposição do rio São Francisco, com recebimento por serviços não executados, fraudes e superfaturamento; a inauguração de apenas algumas poucas unidades das seis mil creches prometidas por Dilma na campanha de 2010. Esses são apenas alguns dos casos clássicos que não fogem ao padrão desses treze anos de PT no governo. Um partido que, no poder, suprimiu a ética, maquiou as contas públicas, vendeu uma coisa e entregou outra, além de cometer crime de estelionato eleitoral, de improbidade administrativa e de propaganda enganosa.

Ainda pior foi a tentativa lulopetista de posar de paladino da probidade, responsável pela prisão, em número sem precedentes, de assaltantes dos cofres públicos. Na verdade, a elite petista aperfeiçoou as práticas da corrupção na vida pública, que foi transformada, a partir de 2003, em método de um projeto de poder focado também no populismo. Quando estourou o escândalo do Mensalão, a primeira grande manifestação da corrupção a serviço do projeto de poder do PT, Lula usou todos os recursos midiáticos para fazer acreditar que se tratava de uma farsa montada contra o partido que se dizia inimigo da corrupção. A essa altura, a Petrobras já estava com sua estrutura comprometida.

Recentemente, à falta de argumento convincente para evitar o impeachment da presidente Dilma, o PT recorreu ao velho discurso de que a oposição fascista queria afrontar a democracia e aplicar um golpe e que a governanta havia sido a vitoriosa nas eleições. Nem a melhor das propagandas conseguiu reverter a situação e a governanta foi afastada. Mas os motivos populares para destituir Dilma foram outros, baseados em fatos reais e incontestáveis: a desconfiança com os líderes populistas somada à incompetência da gestão comandada pela esquerda. Sob comando de Dilma, a inflação voltou a ganhar espaço, a educação foi para o brejo, a Petrobrás foi saqueada, o endividamento chegou a índices estratosféricos, o dólar disparou e, lamentavelmente, não há projeto de governo, não há planos para redução dos custos da máquina pública e todo o sistema social está em frangalhos. Isso sim, é um verdadeiro golpe.

A guerra da informação, em geral, começa nas grandes mídias, onde a verdade é distorcida com viés da pregação da extrema esquerda, no intuito de repetir várias vezes ideias como, por exemplo, a renúncia de Temer, além de associações falsas de que ele seria inimigo da Lava Jato, um político fraco, citado várias vezes nas delações para emplacar novas eleições. Quem ganharia com isso? Com certeza não somos nós. Numa possível eleição quem ganharia com isso? Também com certeza não somos nós.Tentam difundir a concepção de que para combater a corrupção todos devem sair às ruas e gritar “Fora Temer”. Pesquisas de opinião manipulam dados sem nenhum pudor. Notícias mentirosas distorcem a realidade.

Nesta semana, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou uma nota que rebate as informações publicadas na manhã de hoje pela colunista do jornal Folha de São Paulo Mônica Bergamo. No texto, Mônica diz que para os procuradores o presidente Michel Temer é o “principal inimigo” da Lava Jato. a Força-Tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná esclarece que nenhum de seus integrantes conversou com a colunista ou outro “interlocutor” sobre os temas abordados e que o conteúdo da publicação é inverídico. O trabalho realizado pela força-tarefa é técnico, impessoal e sem qualquer viés político-partidário, e continuará sendo feito desta forma. A atuação da Força Tarefa se pauta pela Constituição e pelas leis, tendo por objetivo investigar fatos que caracterizam atos de improbidade administrativa e crimes, especialmente corrupção e lavagem de dinheiro”, declara o MPF.

Outra matéria afirmava que “Temer pode vetar reajuste para Polícia Federal. Assessores afirmam que presidente dará sinal de desagrado com cúpula da corporação”. Nós sabemos que o presidente vai sancionar, mas o artigo foi uma tentativa de jogar a Polícia Federal contra Michel Temer e emplacar mais um “ fora Temer”, além de procurar desestabilizar a relação entre a instituição e o governo. A guerra de comunicação não vai ter trégua até todos de verde amarelo pedirem a cabeça de todos em nome da corrupção.

Para encerrar por hoje, deixo para reflexão duas citações: uma de Abraham Lincoln: “É possível enganar toda a gente durante algum tempo, e mesmo alguma gente durante todo o tempo, mas não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo”. Outra do ator Denzel Washington: “Se não você não vê o noticiário fica desinformado, se vê fica mal informado” – em afirmação “do momento” sobre a mídia, exatamente como ocorre no Brasil.

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Carlos Arouck
Agente de Polícia Federal - Bacharel em Direito - Licenciado em Administração de Empresas - Foi Instrutor Academia Nacional de Polícia - Palestrante na área de Segurança Pública - Fundador do Movimento Brasil Futuro (MBF) - Consultor de Cenários Políticos - Consultor de Estratégia de Segurança Pública

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