A Oralidade da História

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GUERRA E POLÍTICA

Outro dia escrevi um texto sobre a importância de falarmos de política. Voltando aos tempos de minha adolescência e lembrando as reuniões do domingo com três gerações da família, a história era contada e explicada a todos os presentes. Eu me lembro do meu avô narrando diversos fatos sobre a ditadura Vargas, o atentado da Toneleros onde o alvo era o jornalista Carlos Lacerda, ocorrido na rua onde morou em Copacabana. Ele descrevia tão bem os detalhes que era quase possível reviver os tiros; o segurança de Lacerda – o militar da Aeronáutica – Major Rubens Vaz, morto, enquanto o jornalista era atingido no pé. Era muito bom ficar sabendo das coisas sem ser pela imprensa somente, mas por quem viveu a realidade dos fatos. Meu avô contou muitas histórias do próprio Lacerda, da UDN e tudo mais que ocorreu naquele período. Já o meu pai explicava para nós o período do regime militar e sua contra revolução a favor da democracia. Eu pude transmitir para os meus filhos o retorno do voto direto; a fraude que era o Chico Mendes e sua “proteção do meio ambiente”; o impeachment do Collor: a queda do muro de Berlim; a guerra do Golfo… Sei que meus filhos vão passar o conhecimento histórico do atual momento para os meus netos.

As histórias dos silvícolas, que antes eram transmitidas de geração em geração apenas por meio da oralidade, o que ocorria também nas famílias brasileiras, foi se perdendo com o tempo. Hoje dependemos das orientações históricas dadas por “especialistas”, por professores, por jornalistas. As verdades nem sempre são ditas, dependem de interesses partidários, existe doutrinação, manipulação e a confiabilidade dos livros de história, principalmente aqueles fornecidos pelo MEC, é duvidosa. Não sou contra livros, meios de comunicação e escolas, claro! Mas acredito que, ao abrirmos mão de conversar em família sobre os acontecimentos do passado, deixamos essa responsabilidade apenas nas mãos de terceiros, sem uma contrapartida. Nossos filhos ficam reféns de informações passadas por determinados “filtros” que nem sempre correspondem aos valores que praticamos em família.

Recentemente, um determinado conceito despertou muito minha curiosidade, o conceito de “Guerra Híbrida”, que engloba o domínio da informação e a capacidade de confundir e desinformar. Após participar de palestras sobre o tema, de ler livros, pesquisar artigos e de conversar com militares, passei a me preocupar com essa “guerra sem guerra” convencional, facilitada pelas novas tecnologias. Passei também a achar mais importante ainda a transmissão histórica no núcleo familiar. Pude perceber, aqui no Brasil, que uma das principais estratégias do movimento socialista é utilizar a imprensa para criar pautas a partir da distorção de fatos, lançados massivamente ao público,  seguido pela promoção de debates entre seus “especialistas” de estimação, todos de esquerda. Concluí que o grande problema é o avanço da direita, que vem sendo combatido. Ficam claros os motivos para a Rede Globo, desde o desmoronamento do petismo e do bolivarianismo, disparar as mais diversas matérias sobre homofobia, nazismo e aquecimento global. O intuito é confundir, por meio de pautas que deveriam ser defendidas por todos, a opinião pública, atribuir aos conservadores de direita a responsabilidade pelos males da sociedade. A realidade pode ser distorcida por quem detém poder e informação. A verdade pode sofrer “interpretações” e se tornar uma verdade diferente daquela vivida. Porém, como a História nos coloca em contato com o passado que não vivemos, a forma como passará a ser conhecida, sobretudo na infância e na juventude, servirá como base para formar opiniões sobre um período, um povo ou um acontecimento. Ao apresentar um fato, um professor, por exemplo, tem o poder de controlar o passado, de explicar o presente e determinar o futuro. Nessas horas, o contraponto da família é necessário, para que não ocorra uma aceitação pura e simples do que é apresentado, somente de acordo com a ideologia ou a doutrina de quem fornece a informação.

Termino citando Clausewitz, que escreveu em um lugar que, “a guerra é a continuação da política por outros meios.”

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Carlos Arouck
Agente de Polícia Federal - Bacharel em Direito - Licenciado em Administração de Empresas - Foi Instrutor Academia Nacional de Polícia - Palestrante na área de Segurança Pública - Fundador do Movimento Brasil Futuro (MBF) - Consultor de Cenários Políticos - Consultor de Estratégia de Segurança Pública

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