Ações de Desinformação.

0
383
DESINFORMAÇÃO

Se de um lado temos um guerra de informações disponíveis sobre os mais variados assuntos de forma gratuita e de fácil acesso, do outro temos indivíduos mais seletivos e com cada vez menos tempo para se dedicar à leitura dos temas de seu interesse. Mesmo que o ato de comunicar tenha se tornado mais simples na era da internet e dos smartphones, é necessária muita habilidade caso o objetivo seja capturar a atenção dessas mentes conectadas e em constante contato com o mundo virtual. Nesse mesmo instante em que escrevo, quantas curtidas foram dadas no face, quantos posts publicados em blogs, quantos tuítes enviados? Junte-se a isso o fato de as pessoas também desejarem se desconectar por meio da leitura de um livro, ao assistirem à série preferida no laptop ou simplesmente acompanharem a novela na TV… A verdade é que é impossível tomar ciência sobre tudo o que nos cerca e ao qual temos acesso em razão dos limites humanos.

Dentro dessa lógica, o vale tudo para chamar a atenção das pessoas atingiu seu ápice com o advento das novas mídias sociais. E a desinformação, que já corria solta nos meios de comunicação tradicionais, ganhou terreno fértil em tempos de conectividade global. Seja sob forma de notícia mal apurada, boato, ou mentira pura, o ato de desinformar se difunde de maneira absurda em questão de segundos. A recompensa é o ganho de audiência, independente da veracidade do fato divulgado. Em momentos de crise, então, aumentam muito as chances de alguém lançar uma informação completamente “fake” que seja rapidamente multiplicada, seja por boa ou má fé, para não perder o ‘timing’ e a oportunidade de esse post bombar na internet. O pior é que grande parte dos internautas brasileiros ainda não possuem o hábito de checar o conteúdo recebido e colaboram na propagação de mentiras.

Passando da teoria para a realidade, cito como exemplo os recentes acontecimentos, quando manifestantes protestaram contra o governo Temer e as reformas trabalhista e da Previdência, motivados pela delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. Segundo a PM, 35 mil pessoas participaram do ato. A CSB afirmou que foram 200 mil pessoas. Aqueles que protestavam alegaram que era uma manifestação pacífica. Imagens postadas na internet mostravam atos de vandalismo extremo. Os policiais militares esclarecem que apenas reagiram aos ataques dos manifestantes. A população presente reclamou que a polícia estava excessivamente armada como se fosse para a guerra, amparada por escudos, cachorros, viatura, cavalos… O movimento “Ocupa Brasília” enfatizou que o protesto objetivou parar as reformas e tirar o presidente do poder. Outros movimentos alardeavam que a manifestação era contra a corrupção e a favor da Lava Jato.

A desinformação é um tema denso, e aqui deixo algumas reflexões superficiais, mas espero que você, que leu o texto até o final, perceba como podemos, todos, ser alvos constantes e fáceis de manipulação. A falsa ideia de que estamos protegidos por uma rede de amigos que pensam semelhante não impede a propagação de fakes. Se veículos conhecidos já espalharam boatos e tiveram depois que arcar com os custos de uma retratação, imagine nós, meros mortais sem tantas fontes e aparatos ao seu dispor. Inverdades não podem continuar a ser disseminadas. O facebook não é somente um aplicativo de rede social e sim um grande propagador de conteúdos. Nós também somos “jornalistas” ao nosso modo. Que não nos tornemos fantoches da rede.

Termino citando: “Hoje não existe mais o bem ou mal, o melhor ou o pior, o mais corrupto ou o não corrupto…Estamos sempre escolhendo o menos mal, o menos pior… e será assim por diante..” Carlos Arouck

 

COMPARTILHAR
Artigo anteriorA Lava Jato corre perigo?
Próximo artigoComo fica o Brasil?
Carlos Arouck
Agente de Polícia Federal - Bacharel em Direito - Licenciado em Administração de Empresas - Foi Instrutor Academia Nacional de Polícia - Palestrante na área de Segurança Pública - Fundador do Movimento Brasil Futuro (MBF) - Consultor de Cenários Políticos - Consultor de Estratégia de Segurança Pública

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here