As lições que a desistência de Frejat deixa

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Hoje, no campo da política nacional, nada está resolvido ou decidido, principalmente por se tratar de ano de eleições. Embora exista muita informação disponível nas redes sociais, pouco se pode realmente aproveitar como verdade. Nem mesmo o que é dito por especialistas de plantão,  que com suas convicções teóricas elaboram análises convincentes, pode garantir a previsão de um futuro político tão incerto ainda. Essa conjuntura é válida para todas as unidades da Federação brasileira. Após as denúncias da Lava-Jato, o cenário eleitoral mudou. Partidos grandes foram atingidos, candidatos ficha suja estão desacreditados e os brasileiros anseiam por renovação. O maior desafio do momento é perceber, além das incoerências divulgadas a todo instante, as notícias falsas que atingem todos que buscam estar bem informados e que influenciam o comportamento das pessoas com argumentos sem sustentação. No caso do Distrito Federal, sede do Poder, a população enfrenta uma guerra política sem precedentes na curta história da capital.

Ao lado de Frejat, pré-candidato ao governo do DF, estavam os patronos Tadeu Filippelli (MDB-DF)  e José Roberto Arruda (PR-DF), ambos associados a denúncias de corrupção. Os dois acreditavam que ainda possuíam respaldo político suficiente para eleger um senhor com “cara de paizão”. Frejat, pressionado, recusou a interferência de membros de organização criminosa em suas decisões. Foi então convocado para uma reunião com denunciados da operação da Polícia Federal “Caixa de Pandora”, com a presença do presidente do Correio    Braziliense, à beira da falência, na tentativa de impor “condições” à futura administração do Distrito Federal. Ao desistir de concorrer, deixou um “vazio” e desdobramentos ainda não claros para a população brasiliense, que não vê legitimidade na grande maioria de seus representantes e no sistema político cheio de vícios e episódios constantes de corrupção.

Brasília, mesmo com menor tradição eleitoral, por ser uma cidade de apenas 58 anos de idade, não está longe da manipulação existente em outras capitais, porque tem também suas famílias “tradicionais” na área política, que se revezam no poder e impedem a entrada de nomes diferentes dos seus. Como no crime organizado, ou melhor, como na máfia italiana dos velhos tempos, o legado político é transmitido de pai para filhos ou esposas, enfim para seus familiares que vivem exclusivamente da política. Se o político é preso, cumpre a pena e volta para política, sendo facilmente reeleito. Trata-se de um ciclo vicioso que precisa parar. Mesmo no pleito deste ano, agora em outubro, muitos estão retomando velhos hábitos. As alianças partidárias continuam refletindo interesses que têm mais a ver com vantagens pessoais do que com programas de governo. O melhor destino para a “velha” política é sua rejeição total pelos eleitores insatisfeitos com a situação a que o País chegou. Se os candidatos não possuem a coragem de atualizar sua forma de pensar e fazer política, cabe ao eleitorado punir esses nomes, checar a veracidade das informações recebidas e escolher melhor seus representantes. Dá trabalho? Dá, sim. A outra opção é se contentar com qualquer coisa, mas não vale reclamar depois.

A desistência de Frejat é um exemplo flagrante da necessidade de se desconstruir a velha política já nessas eleições de 2018. Pode ser um processo complexo e longo, que exige uma nova atitude de cada cidadão, porém que precisa começar imediatamente. Não dá mais para permitir que políticos ficha-suja continuem agindo impunemente e tratando o bem público como moeda de troca, pouco se “lixando” para os trabalhadores que pagam com sacrifício essa conta financeira e moral. Se existe um déficit ético no debate pré-eleitoral, é importante não eleger os responsáveis por essa situação. De maus políticos, o Brasil tem experiência de sobra. Alguma lição deve ser tirada disso tudo. Pelo menos, o eleitor consciente já sabe em quem não votar.  

 

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