Fomos às ruas, e aí…

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Quem participou da manifestação do dia 4 de dezembro, último domingo, foi aquele cidadão que ainda não desistiu do Brasil. Gritou até ficar rouco: “Somos todos Moro. Somos todos Moro!” e “Fora, Renan. Fora, Renan”. Conversou com os que ali estavam sobre as mudanças no pacote das 10 medidas anticorrupção. Debateu a proposta de abuso de autoridade. Mostrou toda a sua indignação contra os escândalos que se aumularam este ano. Defendeu com unhas e dentes a o prosseguimento da Operação Lava Jato. Cantou com emoção o hino vestido em sua camisa verde e amarela.

Os manifestantes portavam cartazes, bandeiras e faixas. Tudo se passou de forma pacífica, muito diferente do que aconteceu na terça-feira, quando pessoas ligadas a grupos de extrema esquerda resolveram radicalizar e transformar Brasília em palco de vandalismo e depredação. O comportamento cívico da população serviu como prova de que a cidadania está cada vez mais amadurecida entre nós.

Apesar da tranquilidade com que as manifestações transcorreram em todo Brasil, os discursos foram mais acalorados que normalmente e o foco das manifestações direcionado ao Congresso Nacional, criticado por dar as costas para as reivindicações dos que vão às ruas desde 2013. Antes, o “Fora Dilma” era uma pauta muito mais fácil de ser levada adiante por meio de mobilização, por contar com o apoio de praticamente todos os seguimentos da sociedade, principalmente do Parlamento, além do fato de a economia em frangalhos ter garantido força para o impeachment.

E que lições ficaram desse 4 de dezembro?

Primeiro: as instituições nacionais têm que se mostrar mais sensíveis aos apelos das ruas sob risco de perderem credibilidade. Os políticos que decidirem ignorar o grito do povo dificilmente conseguirão se reeleger. Em tempos de internet e de mídias digitais, fica muito mais fácil diminuir a distância que separa o povo da autoridade e exercer uma pressão legítima para que as demandas populares sejam atendidas, ou pelo menos, entrem na pauta de discussões.

Segundo: as pessoas começam a compreender que fica mais viável se unir às outras e exigir respeito aos valores éticos e aos princípios morais do que permanecer em casa com a família acompanhando de longe as notícias sobre a impunidade dos corruptos.

Terceiro: hoje, a meta das dez medidas do combate à corrupção está mais difícil de ser alcançada porque precisamos da aprovação de leis por parte do Congresso, que por sua vez não tem qualquer interesse em legislar contra seus próprios interesses escusos. Daí o perigo de se tentar aprovar pacotes de medidas bem intencionadas que podem terminar como um tiro no pé. As pautas reivindicatórias correm o risco de sair de compasso quando são lançadas sem uma análise cuidadosa da conjuntura política. Temos que refletir mais e evitar dar munição à extrema esquerda, interessada em impedir, a todo custo, o avanço da pauta econômica. A oposição quer o caos econômico, pois a estabilidade e o crescimento, se forem obtidos nesse governo de transição, serviriam como uma demonstração clara de que as administrações petistas teriam falhado em seu intento.

Por último: o povo tem força, sim. Que o diga Renan Calheiros! Precisamos deixar pautada a reforma do judiciário, o foro privilegiado, o abuso de autoridade e as leis feitas com auxílio de quem trabalha realmente combatendo a corrupção.

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