Fora Todos

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A estratégia que está sendo implementada pelo PT, o melhor de todos os partidos em termos de manipulação da opinião pública, é ampliar o discurso de vitimização de Lula junto aos aliados e eleitores da esquerda e, ao mesmo tempo, inserir nas mentes dos opositores que estão nas ruas protestando o clima de “fora todos”. Como não há possibilidade de defender os acusados de crimes ligados ao partido, o único recurso que sobra é atacar o adversário para tirar o foco de Lula, Dilma e companheiros envolvidos na Lava Jato. E o adversário da vez é Temer.

Cenário 1- Temer renuncia.

Até a metade do mandato (ou seja, até o final de 2016), esse cenário implicaria a convocação de novas eleições, 90 dias após a vaga ter ficado aberta. Nos últimos dois anos do mandato (ou seja, 2017 e 2018), é o Congresso Nacional que elege um novo presidente, em 30 dias. O que isso significa? Que o novo presidente seria escolhido pelos mesmos congressistas que criticamos por envolvimento, em sua maioria, em atos ilícitos. Teria esse novo representante a legitimidade esperada?

Cenário 2 – Renúncia de todos (Fora todos).

Você acredita mesmo que deputados, senadores, governadores, prefeitos deixariam seus cargos, perdendo seu foro privilegiado, estando muitos sendo suspeitos de crimes. Duvido! A senadora do PT que tanto prega essa conduta, Gleisi Hoffmann, deveria ser a primeira a dar o exemplo. Claro que acabaria diretamente nas mãos de Moro, mas sabemos bem que se trata apenas de uma retórica manipuladora da parlamentar.

Espero que tenha ficado mais claro que não podemos nos precipitar e cair na armadilha que vem sendo preparada pelos petistas e seus auxiliares de atacar Temer e poupar Lula. O presidente é legítimo e constitucional. Não votei nele, porém quem votou em Dilma o elegeu por contrapartida. Ele tem a grande chance de votar medidas impopulares porque não visa a reeleição.

O combate à corrupção não pode implicar em ataque à nossa democracia. Hoje, o Supremo interferiu em uma decisão do Legislativo ao suspender a votação do pacote das 10 medidas anticorrupção. Fux mandou o Senado devolver o pacote à Câmara, anulando todas as alterações feitas pelos deputados. É a chamada “militância de toga”. A independência e a harmonia dos 3 Poderes fica em xeque. Caso a Câmara vote de novo da mesma forma, o que acontecerá?

O quadro institucional brasileiro, como se pode ver, não é dos melhores. Por isso, temos que nos conscientizar de que as manifestações não podem ser usadas contra os interesses do próprio povo, que quer o fim da impunidade e de tantos escândalos de corrupção. O perigo de sairmos às ruas gritando “Fora, Temer!” é chegarmos a uma situação extrema de intervenção militar. Com certeza, esse também não é o cenário que os brasileiros buscam.

Para finalizar, cito o Juiz Sérgio Moro “ Talvez a lição mais importante de todo o episódio seja a de que a ação judicial contra a corrupção só se mostra eficaz com o apoio da democracia. É esta quem define limites e possibilidades da ação judicial. Enquanto ela contar com apoio da opinião pública,tem condições de avançar e apresentar bons resultados.”

 

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