Muito fácil criticar sentado no gabinete

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Responsável pela força-tarefa da Operação Lava-Jato, o herói anônimo Deltan Dallagnol deu mostras, nesta terça-feira (20), de sua disposição ao radicalismo e à ironia. Em seu Twitter, escreveu: “Se cabem buscas e apreensões gerais nas favelas do Rio, cabem também nos gabinetes do Congresso.” Ele se refere à possibilidade, após a aprovação da intervenção federal no Rio de Janeiro, de a Justiça expedir mandados de busca e apreensão coletivos, no caso da necessidade de apreender provas de um crime em uma área mais extensa que apenas uma casa, evitando-se a fuga do criminoso por falta de amparo legal.

Em geral, o mandado de busca deve individualizar o local a ser averiguado pela autoridade, a casa em que será realizada a diligência e o nome do respectivo proprietário ou morador, da forma mais precisa possível, como regem os diplomas legais. No entanto, nas comunidades brasileiras é comum o problema da falta de endereço certo. Os Correios não têm obrigação de entregar cartas em endereços não legalizados e inexistentes. Isso inviabiliza que a justiça consiga entregar mandado em favelas dominadas pelo crime organizado, que é dono de tudo ali,  a maior imobiliária do pedaço com poder para desapropriar qualquer “residência”  conforme seus interesses. Nesse momento de intervenção, um conhecido procurador ficar preocupado com excessos nem cometidos ao invés de apoiar os executores da operação, mostra como é difícil solucionar o problema da segurança pública.

A intervenção mal começou e pipocam as ironias e as críticas que em nada ajudam. O herói anônimo Deltan Dallagnol  e membros do Ministério Público e da Justiça deveriam sair das zonas do conforto dos seus gabinetes e fiscalizar “in loco” como é feito o trabalho da polícia e dos interventores.

“A verdade está lá fora”

 

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