Não existe solução fácil

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Na atual conjuntura de um Brasil gigante quase falido, a reivindicação de qualquer categoria pode parecer justa, mas ao mesmo tempo torna-se, contraditoriamente,  inconsequente, em um país empobrecido. Os caminhoneiros mostraram a força que têm, ganharam o apoio da opinião pública, até a entrada em cena dos “aproveitadores de plantão”, que manipulam iniciativas exitosas a proveito de seus interesses. Defendem a pauta dos caminhoneiros, porém exigem  muito mais do que suprir de imediato as necessidades daqueles que trabalham nas estradas, como a deposição do Presidente da República.

Além disso, o protesto acabou incluindo as exigências não apenas dos mais fracos, no caso os caminhoneiros que representam o povo trabalhador brasileiro, mas também dos sindicatos patronais, ou seja, os donos das frotas, que querem a inclusão de pontos controversos, como a reserva de mercado, algo que somente beneficiaria a eles próprios. Para tornar o quadro ainda mais complexo, o movimento se alastrou para outras categorias que possuem demandas legítimas também e que agora ameaçam parar o Brasil se não forem atendidas.

O grande problema não é só o aumento do combustível e a greve dos caminhoneiros. Como a crise brasileira vai bem além do preço cobrado nos postos de gasolina, para melhor compreensão da conjuntura é necessário conhecer um pouco os custos do combustível no Brasil: 9% do valor cobrado se refere à distribuição e revenda; 29% ao ICMS, acrescidos dos impostos federais, em 16% na CIDE/ PIS/Pasep/Confins e 34 % aos gastos da Petrobrás. Ao todo, 45% do que o usuário paga nas bombas são impostos. A retirada desses impostos, principalmente do ICMS, é quase impossível, uma vez que os estados brasileiros estão quase falidos, sem conseguir pagar suas contas e já atrasam os salários de diversos profissionais. Os policiais do Rio de Janeiro, por exemplo, só tiveram seus salários pagos após a intervenção do governo federal.

Os radicais, mesmo eivados de boas intenções, jamais escutam, só falam ou gritam. As eleições estão próximas, faltam somente quatro meses para o pleito de outubro, grupos com interesses bem definidos e que correm o risco de não serem eleitos, como lideranças do PT, usarão cada vez mais e em qualquer oportunidade, como essa que se apresenta agora, estratégias para confundir a população. Como a maioria das pessoas não têm o hábito de aprofundar seu conhecimento nos temas em debate e aceitam o que é apresentado na internet como verdade absoluta, terminam reproduzindo notícias tendenciosas e parciais, favorecendo aqueles que roubaram o Brasil e que desejam retornar ao poder em outubro. É importante que internautas bem intencionados não caiam na falácia do “Somos todos caminhoneiros” e ecoem a voz daqueles que querem o caos e a desordem.

A solução não é fácil. A Pátria Brasil está quebrada e o povo não aguenta a altíssima carga tributária. O bolso do trabalhador não pode mais arcar com despesas abusivas por parte de seus representantes. A solução mais viável para o impasse é a diminuição gradual do Estado e a venda de estatais, além do término imediato dos privilégios dos Três Poderes. Dessa forma, seria possível atender o que o povo realmente está pedindo, que é simplesmente a cobrança de impostos mais justos.  

 

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