O reconhecimento facial e a bronca do Olavo de Carvalho

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Por Carlos Arouck*

Recente vídeo de Olavo Carvalho detona os parlamentares que aceitaram fazer parte de uma comitiva para visitar a China, de 14 a 24 de janeiro, com todas as despesas pagas pelo governo chinês. A justificativa deles é “discutir investimentos em diversas áreas”, como tecnologia e segurança, conforme anunciado nas redes sociais por Alexandre Frota, que não viajou. Na verdade, trata-se de um grupo de eleitos que nem posse tomaram ainda, mas que já estão envolvidos nessa polêmica viagem.

Explicando melhor. Qual seria o interesse dos chineses? O mais imediato tem a ver com a venda de um módulo de reconhecimento facial, para facilitar o trabalho das autoridades aduaneiras na hora de identificar pessoas no momento de seu desembarque nos aeroportos do Brasil. Alguns Estados brasileiros têm leis a respeito da autorização para a utilização do software nas diversas atividades de contenção da atividade criminosa e a compra de um equipamento como o descrito acima tem que ser feita através dos meios legais e de acordo com as especificações das suas necessidades. Tanto  a Polícia Federal como a Receita Federal já utilizam essa ferramenta com tecnologia própria e de última geração. Não há necessidade de compra urgente de software. Por isso mesmo, há esse empenho por parte dos chineses. O Presidente, com certeza, não autorizou essa viagem porque não tem cabimento comprar de um fornecedor estrangeiro um recurso tecnológico que pode afetar a segurança nacional.

E qual seria o interesse dos que aceitaram viajar com as despesas pagas? Viajaram os deputados eleitos – Daniel Silveira, Tio Trutis, Felício Laterça, Bibo Nunes, Charlles Evangelista, Marcelo Freitas, Sargento Gurgel, Aline Sleutjes e Carla Zambelli, a senadora eleita Soraya Thronicke, todos do PSL, além da deputada estadual Delegada Sheila, e de Luís Miranda, único que não é do PSL, mas do DEM.

São estreantes na função pública de representar os interesses dos cidadãos brasileiros, sem conhecimento específico na área de reconhecimento facial e de monitoramento por câmeras,  que vão entrar e sair da China da mesma forma, como leigos no assunto, porém com conhecimento turístico ampliado nessas terras para onde dificilmente iriam com meios próprios.

Os nobres parlamentares devem ter voado em classe executiva até Beijim, com hospedagem em hotel de luxo, refeições em bons restaurantes, visita à Cidade Proibida, devem ter comprado umas lembrancinhas, porque ninguém é de ferro… e no dia da apresentação do software de reconhecimento facial, nenhum entende nada. A ideia apresentada para legitimar a ida dos recém eleitos foi a possível elaboração de um projeto de lei por deputados do PSL, determinando a implantação de tecnologia de reconhecimento facial em locais públicos nas cidades brasileiras, para facilitar o trabalho dos órgãos de segurança pública no combate ao crime.

A bronca de Olavo ao grupo de viajantes, e à deputada federal Carla Zambelli, com razão, é pertinente e deve ser bem divulgada nas redes, uma vez que o representante da firma chinesa do software já foi preso em outros países e suspeito de espionagem. Olavo de Carvalho alerta para a violação de dados nacionais pela tecnologia chinesa. Ele comenta que nunca perdoará Carla Zambelli. Ela pode ter enganado a família Bolsonaro, o próprio Presidente, o Olavo de Carvalho por um tempo, mas a mim nunca me enganou. A ativista de esquerda e hoje deputada federal sempre se aproveitou da boa imagem da Polícia Federal e da  Lava Jato, para projetar a si mesma. Ela vinha criando uma cizânia dentro da corporação ao defender interesses de um grupo de policiais em detrimento de outro. Seus vídeos sempre pregam o caos, de forma sensacionalista, para atrair os incautos. Sugou tudo que podia da Polícia Federal e da Lava Jato e agora tenta uma aproximação com os militares para poder ser manter em evidência. Na fábula do escorpião, o escorpião prefere o suicídio a lutar contra a sua natureza destrutiva essa é a natureza da deputada Carla Zambelli. É bom abrir os olhos, senhores, o próprio Olavo está avisando.  

O que a China faz pode ser chamado de lobby de forma eufemística; mas não passa de um ato de corrupção, contra a qual tanto lutamos. Corrupção, nesse caso, significa uma ação para  fornecer secretamente um bem ou serviço a um terceiro para que possa influenciar e beneficiar o corrupto. Parece que existe um grupo sendo lobista de uma empresa estrangeira em um país comunista. Os nomes dos citados acima não podem ser esquecidos, sob pena de o país sofrer as consequências das decisões equivocadas de uns poucos.

É como diz a sabedoria popular: “Se não pode ajudar não atrapalha, se não sabe o que dizer é melhor ficar calado”. Vamos acabar com o fogo amigo. O povo brasileiro agradece.

* Policial federal, Carlos Arouck é formado em Direito e Administração de Empresas, instrutor de cursos na área de proteção, defesa e vigilância, consultor de cenários políticos e de segurança pública, membro ativo de grupos ligados aos movimentos de rua.

 

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Carlos Arouck
Agente de Polícia Federal - Bacharel em Direito - Licenciado em Administração de Empresas - Foi Instrutor Academia Nacional de Polícia - Palestrante na área de Segurança Pública - Fundador do Movimento Brasil Futuro (MBF) - Consultor de Cenários Políticos - Consultor de Estratégia de Segurança Pública

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