Para onde vamos?

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LUGAR NENHUM

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que meu desejo – e tenho certeza de que o mesmo é compartilhado por muitos – é que todos, repito, TODOS os corruptos sejam condenados e presos. Vou agora fazer uma série de considerações sobre os últimos fatos desta semana, e não quero que interpretem como uma tomada de defesa do presidente Temer. Também fui pego de surpresa e demorei para juntar as peças desse quebra-cabeças. Vamos lá!

Logo de cara, uma coisa que para mim soou no mínimo esquisita, foi a tentativa de deixar a PF de fora sob alegação de manutenção do sigilo. Por que a fita com o áudio não passou pela perícia da Polícia Federal ,hoje um dos órgãos com mais credibilidade junto à opinião pública? Apenas dois integrantes do Ministério Público atestaram a confiabilidade das gravações. Não houve auxílio de equipamentos que somente teriam os peritos da Polícia Federal especialistas em degravações.

A avidez da Globo por um furo de reportagem justificaria tal medida? Acusar e envolver o mais alto escalão político do  País mesmo sabendo não existir um laudo pericial completo seria arriscado e amadorístico, porém foi feito sem pudores. Também me pareceu estranho a mídia de um modo geral deixar de lado outros tantos ângulos no prosseguimento das matérias sobre o caso e focar apenas na renúncia do Temer, “esquecendo” de esclarecer o envolvimento do procurador,  a armação do Joesley que o deixou impune e mais rico ainda, o recebimento de milhões por Aécio, o pagamento de propinas a autoridades…

A conversa gravada ocorreu em março, seria coincidência ter sido revelada exatamente na semana em que o governo comemorava os bons índices da economia? Deveriam colocar na conta dos Marinhos o estrago financeiro causado pela especulação dos empresários da JBS no mercado de compra de dólares. Mesmo envolvidos em escândalo de enormes proporções, ainda encontraram tempo para investir e ganhar dinheiro, novamente às custas do povo brasileiro.

E Janot teria motivos para querer prejudicar Temer? Vejamos… Em abril, Temer afirmou em entrevista sua intenção de escolher o próximo procurador-geral, ao invés de acatar uma tradicional indicação do próprio Ministério Público. Temer justificou que não haveria nenhuma previsão constitucional que o obrigasse a seguir a lista do MP. Janot não gostou nada dessa perda de autonomia.

Diante do quadro de caos, há cidadãos que querem emplacar a ideia de que o Congresso não possui mais legitimidade. Ledo engano. Esses parlamentares todos foram eleitos, com o meu e o seu voto.  Os eleitores votaram, errado ou não,  mas foram às urnas. Agora querem forçar um movimento pelas “diretas já” como solução para os problemas do Brasil. Um verdadeiro golpe. Não gosto de usar essa palavra, mas é um golpe o que estão tramando contra a Constituição. No dia seguinte à delação, o Parlamento firmava um acordo para votação da PEC das eleições diretas. Por falta de quorum, deixaram para o início desta semana. Que pressa em tentar um retorno da esquerda via urnas eletrônicas, cuja credibilidade vem sendo questionada por peritos e especialistas na área!

Também os pedidos de impeachment contra Temer pipocaram com uma celeridade nunca antes vista. Alguns minutos depois da notícia bombástica veiculada pela Globo, o primeiro pedido protocolado, seguido por mais sete até agora. No  Plenário, um pouco antes de encerrada a sessão pelo presidente, já se ouviam gritos dos deputados de “Fora Temer” e “Diretas Já”. Toda essa articulação, repito, minutos após a delação ter sido revelada.

Não vamos esquecer de falar um pouquinho da atuação do Supremo. O ministro Edson Fachin abriu um inquérito de imediato, alegando o alto poder das revelações feitas, depois de um acerto em tempo recorde com o procurador-geral Rodrigo Janot. E olha que essas gravações não tinham autorização judicial. Aquelas de Dilma tinham e foram invalidadas pelo STF. Dois pesos, duas medidas. Outra situação esdrúxula: Janot pediu a Fachin que apenas um delegado de confiança tenha acesso ao inquérito. Seria essa uma tentativa de disseminar desconfiança entre os Policiais Federais e como resultado, gerar um enfraquecimento da Lava Jato?

A gargalhada no ar durante transmissão da Globo News sobre a delação mostra como estamos longe de ser um País sério. Voltando à pergunta que fiz no início, respondo que, pelo andar da carruagem, não vamos a lugar nenhum.

 

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Carlos Arouck
Agente de Polícia Federal - Bacharel em Direito - Licenciado em Administração de Empresas - Foi Instrutor Academia Nacional de Polícia - Palestrante na área de Segurança Pública - Fundador do Movimento Brasil Futuro (MBF) - Consultor de Cenários Políticos - Consultor de Estratégia de Segurança Pública

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