Por um Brasil imunizado de fato e de direito

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Por Simone Salles*

Há urgência e há pressa. As pessoas que ainda não foram vacinadas contra a Covid-19 esperam desde 2020 por essa oportunidade. Não é à toa que o momento da vacinação é registrado por muitos em suas redes sociais. Significa uma conquista na luta em prol da vida, uma tentativa de vencer a pandemia. Embora o número de mortes tenha caído, ainda é expressivo. Mas a quantidade de brasileiros efetivamente imunizados ainda é pequena, em torno de 11%. Para garantir a proteção contra a doença, o ideal seria a vacinação do maior número de pessoas no menor espaço de tempo possível.

Em meio a críticas e a uma CPI, o Ministério da Saúde, responsável por distribuir as doses para todas as Unidades da Federação, esclarece que revisa todas as semanas o cronograma de entregas para garantir a eficácia da cobertura vacinal, após realizar reuniões com estados e municípios. O atendimento ao país deve ser proporcional, e o estado deve se encarregar de direcionar os quantitativos da vacina mais adequados aos seus municípios. Segundo a assessoria de imprensa, o intuito é acelerar o ritmo de vacinação a partir deste mês.

No entanto, o uso das doses recebidas não é uniforme: há estados que aplicaram praticamente tudo que receberam e outros não. As estratégias também variam. No Rio de Janeiro, por exemplo, não há necessidade de agendamento para vacinar por idade. No Distrito Federal, quem não agenda, não vacina, mesmo que apresente seu comprovante de idade. No Mato Grosso do Sul, cerca de 33% da população está vacinada; no Mato Grosso esse índice é de apenas 19%. O comportamento do público também oscila. Enquanto uns tentam a “xepa” de doses remanescentes da vacina, outros tomam a primeira dose e não voltam para receber a segunda.Há, ainda, aqueles que escolhem qual vacina tomar e os que são acusados de forjar comorbidades por meio de atestados falsos para furar fila da imunização.

O último informe técnico do Ministério da Saúde destaca que as aproximadas 105 milhões de doses distribuídas observam exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. As vacinas disponíveis são a AstraZeneca/Fiocruz (Vacina Covid-19, recombinante); a Pfizer (Vacina Covid-19, baseada em RNA); e a CoronaVac/Butantan (Vacina adsorvida covid-19, inativada); esta última com autorização temporária de uso emergencial. A Janssen/Johnson foi aprovada no mês passado para uso emergencial também, mas só chega ao mercado a partir de julho, com a vantagem de ser uma vacina de dose única. Esse informe recomenda, inclusive, o monitoramento da evolução da campanha nas Unidades da Federação, para garantia da vacinação efetiva e a redução dos casos em cada território. Aproximadamente 49 milhões de pessoas tomaram a primeira dose e 23 milhões a segunda.

No momento, são atendidos os grupos prioritários. O plano de vacinação foi desenvolvido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) com apoio técnico-científico de especialistas na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis, pautado também nas recomendações do SAGE – Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (em inglês, Strategic Advisor Group of Experts on Immunization) da OMS. Em um momento inicial, onde não existe ampla disponibilidade da vacina no mercado mundial, o objetivo principal da vacinação é a redução da mortalidade pela covid-19, e a proteção da força de trabalho para manutenção do funcionamento dos serviços de saúde e dos serviços essenciais. Mas a partir de julho, com a chegada de novas doses, não há mais desculpas para atrasos no calendário.

Afinal, a meta do PNI, no decorrer da campanha nacional, é ampliar o acesso da população em número e em diversidade de vacinas. A mídia tem divulgado recentemente o crescimento na quantidade de internados abaixo de 50 anos e a morte de pessoas jovens e sem comorbidades. A população espera que, agora, haja menos problemas do que os encontrados em janeiro deste ano, no começo da campanha, como a falta de recebimento de insumos, as questões logísticas e operacionais próprias dos laboratórios, o atraso nas entregas das doses prontas, e a necessidade de aguardar aprovação da Anvisa. Mais ainda, os adultos a partir de 18 anos querem todos ser vacinados e a imunização pode e deve ser acelerada.

*Jornalista, Mestre em Comunicação Pública e Política.

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